sábado, 28 de novembro de 2015

Feed-back após 5 anos...

Olá a todos, depois de ter recebido uns quantos e-mails ao longo destes 5 anos com pedidos de informação, esclarecimentos de dúvidas, receios e principalmente a solicitarem algum feed-back de como tem sido a experiência de viver na nossa casa de madeira decidi reactivar este blog, deixando aqui expressa a nossa opinião (deste modo escuso também de estar sempre a escrever a mesma coisa em resposta às várias solicitações) :-)

Assim, começo por dizer que fez 5 anos em Julho desde que nos mudámos para a nossa casa de madeira e a primeira coisa que posso dizer é que valeu mesmo a pena todo o esforço que investimos neste projecto. Para além de ser a concretização de um sonho que tínhamos de morar numa casa de madeira, a casa é óptima e viver nela é fantástico. Vamos por partes.
A primeira sensação que temos quando entramos na nossa casa é de ser uma casa acolhedora e superconfortável. Penso que será das paredes em madeira, que nos dão um ar de "aconchego" em contraste com as paredes de alvenaria que criam sempre um ambiente mais "frio". A casa em si é muito confortável e quem nunca entrou numa casa de madeira nota logo a diferença.

Existem no entanto algumas particularidades que é preciso ter em atenção. Quando planeámos a casa, como tínhamos as azinheiras centenárias à volta, a nossa ideia foi de aumentar as partes vidradas, para estarmos mais próximos do exterior e não tão fechados dentro de paredes, termos mais luz natural pois as casas de madeira, particularmente as de madeira tropical têm tendência a tornar o interior mais escuro.  Assim, aumentámos as portas de sacada, acrescentámos novas janelas (incluindo janelas de tecto na sala/cozinha e hall) e ganhámos de facto essa proximidade com o exterior e luminosidade interior. A luz natural é óptima mas houve uns pequenos pormenores que poderíamos ter melhorado. Temos uma porta de sacada grande (2x2m) que está virada a Sul e que não está protegida por nenhum alpendre nem protecção superior. Essa parte da base, que actualmente corresponde a um terraço exterior, ficou preparada para podermos expandir a casa para esse lado mas agora percebemos que essa grande janela virada a Sul condiciona um pouco o ambiente interior. É óptima no Inverno pois o sol está mais fraco e entra pela casa com uma temperatura agradável mas no Verão tende a sobreaquecer a zona da sala, o que nos leva a que tenhamos que fechar parcialmente a portada para a casa não aquecer demasiado. Deveríamos ter pensado numa protecção superior nesse lado, tipo um alpendre mais pequeno ou uma protecção em cima da janela que evite que o sol bata directamente no vidro (até porque os vidros, apesar de serem duplos, não são do tipo XPTO e, se estiverem desprotegidos, acabam por deixar passar o calor para dentro). Tirando esse à parte dessa janela que nos requer alguma atenção no Verão, a nossa casa é óptima a nível da temperatura. No Verão durante o dia é fresca e as paredes vão absorvendo o calor. À noite nota-se que começam a libertar o calor absorvido e nessa altura temos que arejar um pouco a casa abrindo uma ou outra janela. Instalámos redes mosquiteiras para estarmos descansados com as melgas e no segundo ano, optámos por instalar também uns ares condicionados que nos permitem rapidamente compensar o calor libertado pelas paredes e também aquecer rapidamente a casa no Inverno. É precisamente no Inverno que os nossos amigos adoram ainda mais vir cá pois, independentemente da temperatura que esteja lá fora, nós andamos quase sempre de t-shirt cá dentro. A casa aquece rapidamente com o ar condicionado ou com a lareira da sala e depois tende a manter a temperatura. Resultado: uma casa quentinha, confortável e óptima para se estar sem andarmos com casacos, mantas ou gastarmos balúrdios em aquecimento. A lareira metálica aquece bem a zona da sala/cozinha e temos facilmente 23, 24, 25 ºC e o único senão é termos de carregar a lenha :-( . Na outra ponta da casa, onde temos os quartos, o calor da lareira (que não tem recuperador de calor, nem ventiladores, nem condutas) já não chega tão bem e embora nunca chegue a ficar desconfortável, nota-se a diferença de temperatura de uma zona da casa para a outra. Por isso instalámos os ares condicionados, um cheirinho de  alguns minutos e já está.
Ao contrário de algumas das casas em que vivemos anteriormente, esta casa não cria humidades, acabaram-se os bolores nos cintos e camurças, paredes negras, o sal sempre molhado e principalmente os problemas de respiração derivados do excesso de humidade (a Sónia notou grandes diferenças). Também não temos rachas nas paredes (só na garagem que é de alvenaria). Acabaram-se as pinturas interiores pois por dentro a casa mantém-se como no início, só a madeira escureceu um pouco devido à oxidação natural da Tatajuba.
Por falar em pinturas (uma questão que me perguntam muito) a nossa casa levou este ano a primeira manutenção ao nível da pintura exterior. Penso que o ideal seria que tivesse sido pintada no ano passado, com 4 anos, pois começámos a notar que o desgaste da pranchas não estava uniforme e havia na mesma parede umas pranchas mais desgastadas do que outras (não sei se a aplicação final da velatura em 2010 terá sido igual em todos os locais mas o que aconteceu foi umas pranchas desgastarem mais do que outras). Penso que o normal seria as paredes mais expostas terem maior desgaste mas dentro da mesma parede o desgaste ser mais ou menos semelhante. A verdade é que fomos um pouco descuidados com isso e ao contrário do que teria acontecido se a manutenção tivesse sido um ano antes, as zonas mais desgastadas tiveram que ser lixadas antes de aplicar as velaturas (os 40ºC de Santarém no Verão não perdoam). Depois desta renovação efectuada por uma empresa especializada, agora está melhor que da primeira vez, outra vez como nova e, segundo nos disseram, não precisamos de nos preocupar por mais 5 ou 6 anos e se tivermos cuidado em verificar o desgaste das pranchas não precisaremos voltar a lixar a casa. Basta renovar a velatura e já está.

Nos dois primeiros anos a casa assentou um pouco (cerca de 2 a 3 cm) e nessa altura os técnicos da Imowood vieram fazer uns ajustes numas peças específicas. A nível das madeiras não tivemos grandes problemas, a nossa casa tem a particularidade de ter pranchas muito grandes e houve uma ou outra que nessa altura tiveram uns pequenos empenos que os técnicos da Imowood resolveram facilmente. Penso que a inclusão de mais um ou outro montantes verticais em determinados locais evitaria essa questão pois as pranchas seriam mais curtas  e menos sujeitas a empenos mas por outro lado não ficaria tão bonita pois as pranchas maiores dão uma maior noção de continuidade da parede. Duas das portas de sacada precisaram de pequenas afinações e é precisamente ao nível das janelas que temos tido uma ou outra dor de cabeça de vez em quando. Na altura já tínhamos os vários custos orçamentados (e acreditem que são muitos) e não tínhamos grandes margens de manobra e não pudemos investir cash extra em janelas. O sistema das nossas janelas está longe de ser o melhor. É bom serem basculantes mas notamos pequenos empenos que condicionam o funcionamento dos batentes que já não estão tão perfeitos como inicialmente. Também o facto de serem de batente, em vez das corredoras-elevadoras, faz com que roubem espaço interior para poderem abrir, o que condiciona um pouco a disposição interior. Contudo, o pior é mesmo o sistema de drenagem. A chuva que escorre pelos vidros corre para uma calha que tem 3 ou 4 furos de escoamento para o exterior. O que acontece quando chove muito e a chuva bate directamente nos vidros  é que a água pode acumular muito nessa calha e acabar por escorrer para dentro (principalmente se os buracos de escoamento estiverem sujos ou entupidos por umas abelhinhas solitárias que adoram tapá-los). A solução que arranjei foi aplicar nas janelas umas peças próprias para afastar a água que escorre pelos vidros conduzindo-a directamente para fora sem chegar a entrar na calha e assim evitamos que possa escorrer para dentro. Uma espécie de cunha que muitas janelas têm de origem por baixo da zona vidradas mas que o nosso modelo não tinha.

Como vivemos no campo e não temos vizinhos muito perto, não temos problemas com o barulho. As nossas paredes externas são duplas com isolamento interior e mais uma vez o elo mais fraco são as janelas que segundo percebemos no estudo acústico/térmico deveriam ter os vidros duplos com espessuras diferentes (tipo um de 4mm e um de 6mm) pois assim vibrariam de modo diferente e seriam mais eficientes no isolamento acústico. Quem tiver vizinhos próximos se calhar é melhor ver esse pormenor com mais atenção.

A nossa casa obteve no estudo térmico/acústico uma classificação de B-, tendo sido muito penalizada por ter muitas áreas vidradas, os vidros não serem os mais eficientes e alguns não estarem protegidos da incidência directa do sol. Mesmo assim, tendo em conta que está numa zona alta e é uma vivenda isolada, penso que não estará muito mau. Aliás, para nós (e para os nossos amigos que cá vêm) está óptima. :-)

Assim resumindo, após estes 5 anos em que cá vivemos estamos muitos satisfeitos com a nossa opção de construirmos esta casa de madeira. O conforto interior é óptimo, a casa é fresca no Verão e quentinha no Inverno. O cuidado que tivemos ao escolher um chão claro e aumentarmos a luz natural foi claramente uma aposta ganha embora agora percebamos que as nossas janelas estão longe de serem as melhores opções.  Se fossemos construir hoje, claramente acrescentaríamos mais alpendres pois para além de permitirem pendurar as camas de rede :-), evitam que o sol bata directamente nas janelas e sobreaqueça a casa, ao mesmo tempo que protegem muito o desgaste das paredes, podendo assim aumentar-se o intervalo de tempo entre as manutenções das velaturas.

Espero que este post tenha contribuído para esclarecer algumas das vossas dúvidas. Se tiverem outras questões podem colocá-las aqui ou enviar e-mail que eu tentarei ajudar no que me for possível. Vou tentar ser mais assíduo e reactivar um pouco o blog à medida que forem surgindo novas questões, de modo a que as minhas respostas possam ficar acessíveis a todos pois muitas questões e dúvidas são generalizadas.
Obrigado pelos comentários que me enviaram e por participarem no blog.

Cumprimentos a todos,
João


Nota: O autor prefere manter a sua escrita segundo o antigo acordo ortográfico ;-)




5 comentários:

  1. Já tinha visto o vosso blogue há uns bons tempos, quando eu e o meu marido procurávamos informações acerca de casas de madeira.
    E hoje ao ler este texto, ficamos com a certeza que realmente queremos um dia, construir a casa dos nossos sonhos, uma casa de madeira!
    Gostava que continuassem a escrever no blogue, pois é um blogue interessante e informativo.
    :)

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  2. Olá P.A.Santos,

    Fico contente com o seu comentário e também feliz por saber que o nosso blogue contribuiu de alguma maneira para que vocês decidissem seguir um dia o vosso sonho de ter uma casa de madeira. Esse foi também o nosso sonho, desde a primeira vez que entrámos numa casa destas. Sabíamos que poderia levar 5, 10 ou mais anos a concretizar mas desde esse dia, isso passou a ser o nosso objectivo. A quem como nós tem o sonho de viver numa casa de madeira, só posso dizer que não desista de o tentar concretizar pois apesar dos entraves e percalços que sempre surgem, do tempo investido a planear e decidir 1001 coisas, quem realmente gosta destas casas, depressa esquece tudo o resto quando finalmente a vê construída pois estas casas são mesmo diferentes. O dia em que recebemos a nossa casa toda limpinha após as obras e depois o dia em que nos mudámos foi simplesmente a concretização de um sonho :-)

    A ideia da criação deste blogue surgiu pela falta de informação que existia na altura da nossa "investigação" sobre as casas de madeira e principalmente do feed-back dos proprietários que já construíram e já habitam numa casa de madeira. Nessa altura, tentámos falar com o máximo de proprietários de modo a recolher informações e conselhos que nos pudessem ser úteis na fase de elaboração do nosso projecto e da escolha da empresa construtora. Decidimos então criar o blogue, de modo a que este pudesse ajudar quem viesse a estar na nossa situação, dando a conhecer um pouco mais sobre as casas de madeira, modo como foi construída a nossa casa e também algum feed-back desta nossa experiência. O objectivo era e continua a ser a partilha de informação e por isso venho aqui apelar a que os leitores deixem também o seu contributo, que nos digam o que acham do nosso blogue, com que ideias ficaram das casas de madeira e já agora, a quem eventualmente já contruiu uma casa de madeira depois de ler o blogue, se a informação aqui contida de algum modo ajudou na tomada de decisão de avançar com o projecto e se daqui retiraram conselhos úteis. Em sentido oposto, também gostaríamos de saber se a leitura do blogue também contribuiu para cimentar ideias de quem tinha dúvidas e acabou por abandonar a ideia de construir uma casa de madeira.

    A todos um muito obrigado pela vossa colaboração.
    Cumprimentos,

    João

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  3. Boas
    Chamo-me Sara e em breve vou concretizar o sonho de ter casa própria. Desde que entrei numa casa de madeira que ficou ponto a sente, que era deste material que quero construir a minha casa.
    Já contactei com varias empresas, mas uma chamou-me à tenção e o interesse a casabang.pt. em Ferreira do Zêzere
    Gostaria de saber se alguém já trabalhou com esta empresa e se ficou satisfeita.

    Continuem neste blogue onde tirei muitos conselhos úteis.
    Os melhores cumprimentos
    Sara

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  4. Seria interessante um novo feedback sobre sua casa de madeira agora ao final de mais 2 anos :D

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  5. Boa tarde, parabéns pela iniciativa em partilhar a vossa experiência. No entanto , acho que faltou, do que eu vi, informação relativamente à burocracias e licenças, etc como foi o vosso processo?
    Obrigada

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